quarta-feira, 16 de julho de 2014

MUDAR A VIDA

É uma história intrincada, mas podemos resumir o assunto parafraseando a retificação superadora que RIMBAUD fez a MARX: ''NÃO SE TRATA DE MUDAR O MUNDO E SIM DE MUDAR A VIDA'' (o escritor argentido Ricardo Iribarren nos recorda ainda uma outra possibilidade (igualmente) 'tradicional':a de mudar DE mundo.
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Assim como a linguagem científica abre campos de conhecimento, a linguagem não-instrumental, não-discursiva da criação poética, abre outros campos de experiência do real. Entender o inconsciente como consciência não-discursiva ajuda a esclarecer a modernidade de um Hölderlin, um Nerval, Lautréamont, Corbière, Germain Nouveau, Jarry ou Artaud. Permitindo a intervenção do inconsciente, rompem com o discursivo: rompem com o discurso da sociedade.  Por isso falo em tomá-la como meio de conhecimento, e não apenas como algo a ser interpretado, como objeto do paradigma clínico ou de uma teoria literária. A inserção consciente de Antonin Artaud na tradição da ruptura acentua o caráter universal de sua contribuição, por mais que esta se tenha manifestado de modo particular, irredutível, que não permite uma escola ou doutrina de seguidores, apesar da sua influência em tantos campos da modernidade: teatro, poesia, contracultura, antipsiquiatria. É universal por expressar contradições fundamentais, entre o sujeito e o mundo que lhe é exterior, o imaginário e o real, o absoluto e o contingente, o poético e o prosaico.
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A ciência admite a intuição poética - enquanto a imaginação é o conducto ou a ferramenta epifânica para descobrir ou levantar o véu da natureza e do que ela esconde. Que exista uma unidade subjacente da qual emergem os fenômenos que percebemos como a realidade é algo que foi proposto por diversas filosofias místicas em diferentes tempos e tradições. Um exemplo é o conceito de vazio e ilusão do hinduismo que foi tomado por Arthur Schopenhauer para conceber seu sistema baseado em um Mundo de Vontade e um Mundo de Representação. A filosofia de Schopenhauer tem seu avatar na física com a Ordem Implicada e a Ordem Explicada proposta por David Bohm..
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A palavra “tradição” costuma ser usada para encobertar muita coisa negativa –moralismo, convenção, atavismo, opressão. Muitos impostores se beneficiaram do caráter aberto da Sociedade Teosófica, por exemplo, pra logo depois fecharem as suas entidades e se auto-proclamarem qualquer coisa acima das outras, provando não serem bem intencionados, mas antes uma espécie de aproveitadores baratos, através das tergiversações e redundâncias doutrinais que buscaram catalogar para tirar proveito. Já os legítimos mensageiros espirituais tratam é de aprofundar o conhecimento já existente sem nenhum interesse pessoal, inclusive na dimensão pragmática e oculta, para ao mesmo tempo dar-lhe abertura social responsável. 
Assim, aqueles que pensam e lutam seriamente por um novo ciclo do mundo, têm o dever de buscar “a síntese da ciência, da religião e da filosofia” numa base criativa e artística, ao invés de tergiversar na especulação através de jogos mentais academicos, moralistas e infrutíferos, que é uma forma esotericamente improdutiva de subordinar o mental ao emocional. 
O Esoterismo mais elevado também deve abrir a sua linguagem.
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Uma nova teoria científica sugere que por trás das coisas, do mundo das aparências e dos objetos, jaz um mar de energia radiante onde inclusive as partículas atômicas se diluem em uma unidade holográfica. Desde o início da física quântica foi observado uma espécie de carreira intra-espacial para chegar ao fundo da matéria e definir um limite: um ladrilho fundamental (building block) do qual tudo se constrói. Esta empresa atômica é a essência da ciência: segmentar um fenômeno até seu mais mínimo denominador para poder analisá-lo como uma entidade separada. Mas o que sucederia se não existissem as entidades separadas, se as partículas e os fenômenos que integram fossem apenas uma percepção superficial de uma realidade mais profunda, como uma onda em um mar sem fundo? Provavelmente nos veríamos abrumados, como em uma miragem que mistura o limite entre o céu e a terra. Ao mesmo tempo em que estaríamos nos aproximando de um entendimento mais profundo da matéria - nos aproximando talvez, á crista da sede de totalidade, ao levar a sensação oceânica do mistiscismo a um corpo de conhecimento científico. 
A teoria quântica adverte que existem campos de energia que permeiam o universo, os quais se comportam em ocasiões como partículas e em outras como ondas. Nova evidência sugere que as partículas e as ondas que medimos são somente a manifestação superficial do mar e das ondas e as partículas a turbulência nessa superfície. Cientistas de Harvard e da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara consideram que o nível superficial de descrição do mundo sub-atômico já não é suficiente para descrever todos os fenômenos. Estudando uma estranha forma de matéria conhecida como ''cuprates'' - metais que contém cobre e que exibem a propriedade de super-condutividade em altas temperaturas - , concluíram que a matéria sub-atômica parece estar refletindo uma série de propriedades mais profundas, que poderiam estar ''vibrando'' em outras dimensões, em sintonia com os postulados da teoria das cordas. 
Esta correspondência multidimensional de eventos foi demonstrada pelo físico argentino Juan Maldacena, quem logrou correlacionar matematicamente eventos diferentes sucedendo-se em 3-D com eventos em regiões de 2-D (eventos em 4-D correspondem a eventos em 3-D e eventos em 5-D com eventos em 4-D, e assim sucessivamente). Segundo este modelo a massa e as propriedades macroscópicas correspondem á vibrações e interações de diferentes formas de matéria (possivelmente a espectral matéria escura) e forças que surgem das conexões das cordas - ás quais vivem dentro desse mar metafórico. Isto se conhece como dualidade holográfica, segundo denominou Maldacena em 1997: a superfície bidimensional deste mar seria descrita pela mecânica quântica; os eventos dentro do mar seriam descritos pela teoria das cordas, se traduziriam matematicamente em eventos na superfície e incluiríam a força da gravidade. Paradoxalmente, quando a superfície do mar imaginário se encontra em calmaria, isto é reflexo de complexidade e agitação interna (a tranquilidade é resultado de uma grande quantidade de energia). A maioria dos objetos materiais têm partículas relativamente estáveis , pelo que ao que parece são o resultado de uma espécie de tormenta interna perfeita. 
Materiais como os ''cuprates'' pertencem á categoria de uma forte interação na superfície, até o ponto de perder sua própria individualidade na força de sua correlação. ''Estes efeitos coletivos sumamente complexos da mecânica quântica são belissimamente capturados pela física dos buracos negros'', disse Hong Líu, professor do MIT (Instituto Tecnológico de Massachussets). '' Para os sistemas de forte correlação, se colocas um elétron no sistema, imediatamente ele desaparecerá e já não poderá ser rastreado''. Assim estes elétrons que em alguns casos se comportam como ''ladrilhos de construção'',em outros se comportam como excitações coletivas - mesmas que não podem descrever-se pelos modelos quânticos atuais e poderiam corresponder ás propriedades de buracos negros em dimensõe superiores.
Um teoria da gravidade quântica poderia ter que abandonar a noção de que os constituintes básicos da matéria são partículas, e considerar que os eventos que surgem na superfície do ''mar'' são eventos unidos a uma série de eventos a partir de uma maior profundidade. As implicações filosóficas disto seriam enormes, já que em certo sentido tudo o que ocorre a nossa volta seria a manifestação superficial de um ordem mais profunda, de uma vibração hiperdimensional. O fundo desse mar (do qual surge o mar) é incomensurável, sua fonte é inconcebível. 

(...)
Assim, nem toda informação velada é maliciosa, mas muito está realmente destinado a ser desvelado sob as devidas balizas do tempo. O verdadeiro significado da preconizada reabertura das escolas de iniciação representa acima de tudo uma abertura da sua própria linguagem, poder de síntese e, em particular o alcance de um pragmatismo universalista definitivo. 
As novas informações estão voltadas para uma sistematização, organização e depuração das informações anteriores, empregando nisto arquétipos, a ciência dos ciclos e as leis-de-evolução, num verdadeiro espírito-de-síntese e ainda mais. 
Devemos superar a etapa das crenças, do misticismo, dos boatos esotéricos e da própria fé, assim como das informações isoladas, anti-científicas, simbólicas e veladas, independente de virem ou não de supostas “autoridades” desta transição, antes importando mesmo é o chamado “bom senso”, e tendo por base especialmente as sóbrias e ponderadas avaliações da Tradição Perene, capaz de promover o equilibro e a unidade-na-diversidade ou o universalismo renovador, e trazendo daí a promessa segura de uma honesta e autêntica renovação das coisas.
Quem pensasse que existe alguma tradição espiritual não corrompida hoje em dia, estaria muito equivocado, e tanto mais se esta tradição for detalhada, porque a transmissão tem sido muito corrompida. Mesmo as novas recepções de saberes ainda têm sido distorcidas e se acham em preparação.

continua
Kalki-Maitreya

AGUA PARA EL MOLINO!!

MÁS AGUA PARA EL MOLINO!!

Siempre hemos llevado AGUA a este MOLINO...

a Mulher segue sendo a Água que flui interminavelmente, vertiginosa e inapreensível, com milhares de rostos e enigmas,  como julgou e expressou tao bem esse autentico e superior Sygmund Freud que foi o grandioso escritor irlandes James Joyce, sobretudo no ''des-virgulado'' e ''in-pontuado'' monólogo de Molly Bloom e em Finnegans Wake ao retratar Ana-Lívia como um sonho que era um rio que era um sonho sem fim correndo para o mar.
Recordo que quando lhe perguntaram á Joyce sobre Freud (que havia perdido noites de sono lendo e relendo a obra hieroglífica de Joyce... Joyce respondeu: ''I AM FREUD''. 

Ainda assim, os dois foram para a tumba perplexos postulando mais ou menos a mesma coisa, que a mente feminina é um labirinto do qual não se pode sair ou do qual se saía mais confuso do que antes...
'o sonho navega por águas que a vigilância comprometida com o socialmente aceito deliberadamente ignora''
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A possibilidade de que as plantas tenham memória não se mostra tão remota se pensarmos que o DNA em si mesmo é um dispositivo biotecnológico de transmissão de memória. Em outras palavras todos os seres vivos estamos feitos substanciialmente de memória.. informação que se inter-comunica através de transmissores celulares.. Mas sugerir que a ÁGUA tenha memória já é um pouco mais arriscado, en tanto que a água tem uma composição molecular relativamente simples - as alianças de hidrogênio que a compõem duram apenas microsegundos antes de romperem-se e reformularem-se.. ainda que ela seja a base da vida e do mesmo DNA (se ha descubierto que las moléculas del agua influyen en el materia genético). A água inclusive poderia ser considerada o oposto da memória, o oposto da fixação, sempre em permanente mudança, fluindo, mutável, nunca a mesma . Na mitologia grega existe o Rio Letes de cujas águas do infra-mundo os mortos bebiam para esquecerem suas vidas passadas. Um Rio que era um Deus do Esquecimento. Já beber da Água da Vida ou da Fonte da Juventude Eterna teria a possibilidade de fazer o Tempo desaparecer: há aguas que induzem a um doce sonho eterno.. 
 (..)
MÁS AGUA PARA EL MOLINO!!
A leitura dos sonhos abre caminho a processos narrativos que incorporam várias línguas, conjugam lugares, aproximam culturas, congregam épocas, misturam expressões vulgares com relevantes encadeamentos teóricos. Joyce realiza o que os textos de Freud sugerem. Joyce explora violate – lembrançca de Freud? – já na primeira página. Finnegans Wake exige interpretação. O romance faz do leitor analista. 
A experiência onírica parte o eu em dois. Um é o eu que restaura o sonho, outro é o eu que origina as imagens estranhas, aflitivas. Nos tempos míticos, dava-se ao sonho personalidade própria. O sonho estava a serviço dos deuses, era um outro, portador do bem e do mal. No sonho guerreiam eus - sonheus. O eu consciente alista-se na milícia dos construtores de individualidades, o eu do sonho divide-se em muitos: guerreiros, gigantes, jovens e velhos, pais e filhos, patrões e empregados, escritores e carteiros, reis e rainhas. O sonho abre a porta a todos - Here Comes Everybody – o Homem a Caminho Está. Do sonho nasce o romance. 
Assim como Ulisses, Finnegans Wake impõe renovados hábitos de leitura. A linear não basta. Em cada parágrafo, em cada frase, em cada palavra, tocamos estratos sobrepostos, convite a trabalho de arqueólogo. Verticalidade e horizontalidade se entrecruzam espacial e cronologicamente. Surgem arqueoleitores. Em minúcias do presente ecoam as origens, sucedem-se horizontes culturais variados, encadeados. Andamos por muitos lugares sem sair do mesmo lugar, o já sabido acolhe o novo, faces anoitecidas guardam traços do amanhecer. Até em fatos insignificantes se adensam compactas experiências pessoais. Avolumam-se fábulas, diálogos, anedotas, cantos, rumores; versões uma da outra, e todas, versões de conflitos insistentes. 
O sonho navega por águas que a vigilância comprometida com o socialmente aceito deliberadamente ignora

É o que procuramos, aqui.

Um homem que não se arrisca por suas idéias, ou não valem nada suas idéias, ou não vale nada o homem (PLATÃO)

De 1972 a 1975, ocorreram alguns seminários de Gilles Deleuze na Universidade de Vincennes, perto de Paris, onde o governo francês criara um território para os estudantes mais radicais do pós-1968. Era um espaço livre, mas ao mesmo tempo degradado – no restaurante universitário, por exemplo, como furtassem os talheres, a administração parou de fornecê-los, e só comia quem os trouxesse de casa. O pó às vezes se acumulava nos corredores. Mas as aulas, melhor dizendo, os "seminários" (il n’y a pas de cours! não há aulas, dizia Deleuze, quando lhe perguntavam se podiam assistir a elas) faziam pensar. Um dia, Deleuze elogiou as obras de Carlos Castañeda, antropólogo brasileiro que estava em voga pela série de livros sobre um nagual mexicano com quem aprendera muito – e, em especial, a ver de uma maneira nova, diferente. (Deleuze também estudou profundamente a obra de Franz Kafka, e ninguém vai perguntar se "o processo" ocorreu, e quando). Falou da importância de se aprender com a experiência. Um senhor na sala, o único de terno e gravata, lhe perguntou se por "experiência" entendia o que Husserl chamou de Erlebnis, que numa tradução literal seria "vivência".

Deleuze respondeu que não sabia alemão, que não conhecia Husserl – o que era tudo falso, porque ele era um dos mais refinados entendedores da história da filosofia da época; só que, sendo mais um filósofo do que um historiador do pensamento, ele permitia-se esse duplo jogo. Por um lado, um certo charme: fingia uma ignorância ou infantilidade que não tinha. Por outro, uma lição bem clara: não estava interessado no pedigree de suas idéias ou no alto nível intelectual de maestria de que certamente era capaz, mas em pensar a experiência em si. E concluiu, ante a insistência do senhor esnobe: "Pode definir experiência por ''vá ver o que está acontecendo de fato'', como Carlos Castañeda foi fazer com seu mestre índio".

Há, nesse diálogo entre o filósofo e o aluno engravatado, um lado algo coquete. Deleuze não endossaria um vale-tudo com o pensamento. É difícil alguém que passou pela filosofia avalizar uma irresponsabilidade em que qualquer opinião valha. Mas ele também rejeitava uma tentativa de o enquadrarem, ele ainda vivo, como um pensador já canônico, cujas raízes alguém estudaria. Mais que isso, o que lhe importava – e por isso estava em Vincennes, apesar da agressividade de parte dos estudantes da escola, que de vez em quando invadiam as salas de aula, diziam absurdos sobre ele e suas idéias, e assim o faziam desaparecer por duas ou três semanas – era que suas idéias vivessem.

E por isso, ao pedigree nobre que lhe oferecia o porta-voz do espírito de seriedade, fazendo remontar sua "experiência" à fenomenologia, ele preferia contrapor uma origem de registro quase vulgar. É claro, Deleuze não sabia que talvez Castañeda tivesse modificado um pouco sua experiência ao transforma-la em literatura. Mas ele recorria à antropologia e não aos clássicos, a um autor do Terceiro Mundo e não da Europa, ao saber de um adivinho e brujo tolteca e não ao de um acadêmico, ao mundo popular e não ao culto, à empiria e não à dedução. Este é um dos modos, certamente não o único, de nos fazer pensar. Melhor ainda, se combinarmos as duas origens, a culta que Deleuze marotamente ocultava e a vivencial, que ele enfatizava mais do que tudo.

É o que procuramos, aqui.

K.M.

Jung, um profeta dos tempos modernos

O primeiro grande trabalho de Jung, “Símbolos da transformação” (1913), consistia numa longa interpretação dos sonhos e fantasias de uma mulher. Esse material apresentava evidentes aspectos simbólicos que Jung demonstrou estarem relacionados à simbologia universal humana. Ao publicar o livro, ele recebeu em cheio a reprovação de Freud e o inevitável rompimento da relação. Por causa da análise simbólica e da vasta bagagem erudita de conhecimentos de mitologia, cultura e literatura que Jung usou ao longo das centenas de páginas de seu trabalho, Freud sentiu-se confrontado e ameaçado. Acima de tudo, Jung negava que o impulso sexual do qual Freud falava fosse um concreto materialista. Para ele, se tratava de uma energia psíquica de proporções maiores que podia se manifestar como impulso sexual mas que era muito mais do que isso, apresentando aspectos simbólicos relacionados a etapas mais profundas e importantes do desenvolvimento humano. 
Com efeito, se considera o Doutor Jung como um profeta dos tempos modernos. Pois se Freud teve o grande mérito de ''sublinhar'' a existencia do inconsciente pessoal, Jung teve o mérito ainda maior de ''descobrir'' o inconsciente coletivo e suas estruturas: os arquétipos. E com sua descoberta nos trouxe uma luz nova sobre a interpretação dos mitos, das visões e dos sonhos. Mais ainda: muito rapidamente Jung conseguiu se libertar dos prejuízos cientificistas y materialistas da psicanálise freudiana que reduz a vida espiritual e cultural de todo ser humano á epifenômenos de complexos sexuais da infância. Finalmente Jung tem em conta a História: olha a Psique como naturalista e historiador; segundo ele, a vida das profundidades psíquicas é que é a História. Dizem os junguianos que seus descobrimentos mudaram completamente o universo mental do homem moderno, no que estamos de acordo. Sentia que tinha que seguir ampliando cada vez mais o horizonte de suas descobertas e traçar um caminho para que o homem moderno saísse de sua crise espiritual y cultural. Pois para Jung, como para muitos outros, o mundo atual está em crise. E esta crise está provocada por um conflito ainda não resolvido nas profundidades da psique. Para Jung, o grande problema da psicologia era a ''individuação'' ou a reintegração dos contrários: isso se encontra por toda parte em todos os níveis, referindo-se a todo e qualquer ser humano. É famosa a suprpresa de Jung diante da semelhança encontrada por este entre os processos alquímicos pelos quais se pensava obter a ''pedra filosofal'' e as imagens nos sonhos de alguns de seus pacientes que, sem se darem conta, estavam trabalhando na reintegração de sua personalidade. Em estudos acerca da alquimia asiática realizados entre 1935 e 1938, Mircea Eliade nos mostra que as operações dos alquimistas chineses e indianos perseguiam igualmente a liberação da alma e a perfeição da matéria, ou seja, a colaboração do homem na obra da natureza. Esta convergencia de resultados adquiridos em âmbitos diferentes e por métodos diferentes nos parece uma confirmação manifesta da hipótese de Jung. ''Estudei alquimia durante quinze anos, mas nunca comentei com ninguém. Não queria sugestionar meus pacientes nem a meus colaboradores, Mas depois de quinze anos de investigações e observações, as conclusões se impuseram com uma força inquestionável: as operações alquímicas eram reais, só que essa realidade dessas operações não era física ou química como se pensava, e sim psicológica e espiritual. A alquimia representava a projeção de um drama em termos de laboratório que é a um só tempo cósmico e espiritual. O mistério da conjunção, mistério central da alquimia, persegue justamente a individuação ou síntese dos opostos. Na linguagem alquímica a matéria sofre até a desaparição do elemento ''Nigredo: aspecto obscuro da Psique'', depois do que a ''Aurora'' é anunciada pela cauda dos pavões reais (ave relacionada á divindade no Egito Antigo) e aparece um ''Dia Novo'', a LEUKOSIS, elemento ''Albedo'' da alquimia. Mas nesse estado de ''Brancura'' não se vive no sentido próprio do termo. De algum modo, é uma espécie de estado ideal, abstrato (de muito poder espiritual, é verdade), mas para viver-se é necessa´rio ''sangue'' e isso se obtém com o que os textos alquímicos chamam de ''Larubedo'', o vermelho da Vida; apenas a consumação da experiência do ser pode transformar esse estado ''ideal e abstrato'' numa existência humana integral. Só o sangue pode reanimar uma consciência glorificada da qual haja desaparecido o último vestígio de ''negrura ou obscuridade: Nigredo''. Então, pode-se dizer que a OPUS MAGNUM dos alquimistas está pronta e acabada: a alma humana foi perfeitamente reintegrada... 
Mas Jung não pretende fazer com tudo isso nem teologia nem filosofia da religião. ''Agora bem, no plano psicológico, me deparo com experiências religiosas que possuem uma estrutura e um simbolismo suscetíveis de serem interpretados. Eu considero que a experiência religiosa é real, é verdadeira. Comprovo que experiências extra-sensoriais podem salvar a alma, podem acelerar sua integração e instaurar o equilíbrio espiritual. Como psicólogo comprovo que o estado de graça existe: é a perfeita serenidade da alma, o equilíbrio criador, conhecimento sem forma, fonte de energia espiritual. Sem deixar de falar como psicólogo, comprovo que a presença de Deus se manifesta na estrutura profunda da psique como uma ''coincidentia opositorum''. E toda a história das religiões, todas as teologias estão aí para confirmar que a coincidentia opositorum é uma das fórmulas mais utilizadas e mais arcaicas para expressar a realidade de Deus. Como dizia Rudolf Otto, a experiência religiosa é ''numinosa'', e eu como psicólogo distingo essa experiência das outras pelo fato de que elas transcendem as categorias ordinárias de tempo, espaço y casualidade. Ultimamente tenho estudado muito a sincronicidade (brevemente expressada como a 'ruptura do tempo') y comprovei que ela está muito próxima á experiência numinosa de Otto: pois nela também espaço, tempo e causalidade ficam abolidos'' --- Recordemos que Kierkegaard disse que ‘’o Tempo é o Pecado’’. Deter o TEMPO –a imagem móvel da Eternidade, segundo Platão – é parar o diálogo interno, ‘’parar o mundo’’(Don Juan Mattus). 
''No modo de ver de Jung, o homem não pode alcançar a unidade a não ser na medida em que pacifica sua mente (o que nos remete á famosa definição de Patanjali do que é a yoga: ''yoga é a parada das modificações mentais). A reintegração da energia psíquica hipotecada y presa nos conflitos internos, a coincidentia opositorum, é a pedra angular do sistema de Jung. E justamente por isso ele se viu tão interessado nas doutrinas e técnicas orientais. O taoísmo e a yoga revelaram os meios utilizados pelos asiáticos para transcender as múltiplas polaridades y alcançar a unidade espiritual. Por esse esforço orientado á unidade pela reintegração dos conflitos se encontra tbm em Hegel, ainda que num plano bem distinto. Pergunto-me se não deveria levar ainda mais longe a comparação entre Hegel e Jung. Hegel descobre a História e seu grande esforço tem como finalidade a reconciliação do homem com seu próprio destino histórico. Jung descobre o inconsciente coletivo, ou seja, tudo o que PRECEDE a história pessoal do ser humano, e se dedica a decifrar as estruturas e a ''dialética'' com intenção de facilitar a reconciliação do homem com a parte inconsciente de sua vida psíquica e conduzi-o á reintegração da sua energia psíquica hipotecada nos conflitos interiores. Á diferença de Freud, Jung tem em conta a História: os arquétipos, estruturas do inconsciente coletivo, estão carregados de história. Já não se trata, como em Freud, de uma espontaneidade ''natural'' do inconsciente de cada indivíduo, e sim de um imenso canteiro de ''recordações históricas'': a memória coletiva onde em essencia sobrevive a História de toda a humanidade. Jung acredita que o homem deveria aproveitar mais esse ''canteiro'': seus métodos analíticos estão justamente orientados a elaborar os meios para utilizá-los. O inconsciente coletivo é mais perigoso que dinamite, mas existem meios para manejá-lo sem demasiados riscos. Quando se desencadeia uma crise psíquica, entre as idéias de Jung se está melhor situado do que em qualquer outro sistema de idéias para resolver a questão. Se há sonhos y principalmente ''sonhos de vigília'': é necessario esforçar-se por observá-los. Se poderia dizer que cada sonho traz á sua maneira uma mensagem: os sonhos muitas vezes não só te dizem que há algo funcionando errado no seu ser profundo, mas te proporcionam também a solução para sair deste tipo de crise. Pois o inconsciente coletivo, que te envia estes sonhos, possui já a solução. Com efeito, nada se perde de toda a experiencia imemorial da humanidade. Todas as situações imagináveis e todas as soluções possíveis parecem estar previstas pelo inconsciente coletivo. Não tem nada mais a fazer que observar a ''mensagem'' ou ''conteúdo'' transmitido pelo inconsciente e ''decifra-lo''. A analise de Jung ajuda a ler ''corretamente'' essas mensagens... Jung concede uma importancia capital á interpretação dos sonhos, essa mitologia camuflada no homem moderno. Não deixa de interessante que o surrealismo, que representa o esforço mais consistente e sistemático de renovação da experiência poética ''contemporânea'', tenha ACEITADO INTEGRALMENTE a realidade onírica. Ou melhor ainda: ''o surrealismo perseguiu, entre outras coisas, a integração dos estados de sonho para alcançar a ''situação total'' do ser humano, mais além da dualidade ''consciencia-inconsciencia''.(MIRCEA ELIADE) 

Post Scriptum 

Até recentemente, considerava-se a alquimia ou como uma protoquímica — isto é,uma disciplina embrionária, ingênua ou pré-científica— ou como um acervo de asneiras culturalmente irrelevantes. As pesquisas de Joseph Needham e Nathan Sivin comprovaram a estrutura global da alquimia chinesa, isto é, o fato de ser ela uma ciência tradicional sui generis, incompreensível quando abstraída de suas cosmologias e pressuposições éticas e, por assim dizer, "existenciais", e suas implicações soteriológicas. Meu estudo da alquimia hindu fez-me descobrir suas relações orgânicas com técnicas especificamente psicomentais. Além disso, é significativo o fato de que, na China, a alquimia estava intimamente relacionada com práticas secretas taotístas; na Índia, fazia parte do que podemos chamar de ''ocultismo yogui''; e, no ocidente, a alquimia greco-egípcia e renascentista foi usualmente associada ao gnosticismo e ao hermetismo, ou seja, tbm a uma tradição secreta "ocultista". 

(MIRCEA ELIADE)

consciência do Nirvana.

 luz que brota de um iniciado não pode ser apropriada ou assimilada pelo limitadíssimo universo de discursos da Rede de Cloacas, onde o ''valor'' do indivíduo é classificado em graus de nivelação mecânica desprovidos de qualquer sentido ou relação com a realidade. A luz de um autentico iniciado sempre procura quebrar, destruir essa superfície social e individual prévia da Rede de Cloacas, com o obejtivo de produzir um salto de consciência no próximo. É natural que a recepção desse tipo de conhecimento traga tensões e dificuldades, por que desregra os laços mediante os quais o próximo acredita se orientar, o que por vezes soa como uma exigência demasiada e infundada para algumas pessoas. O que não se consome por causa disso é a energia dessa escritura, que assume uma diversidade de mortes e duelos próprios de uma modernidade órfã mas sem nunca se identificar com ela, para assim poder anunciar um futuro em bruto para sua própria evolução.(---- se o Monopólio está esparramado por todo o campo social é necessário quebrar sua sintaxe e criar interferências em suas estruturas de linguagem. Quando as linhas são cortadas as conexões engessadas se rompem, pois as linhas de associação do pensamento-escritura são também mecanismos de controle. Um vírus criado para evitar a expansão da consciência. Posto que o controle é um biopoder de todo o campo, os métodos de escritura dos avatares da Resistência devem ser fluidos e luminosos mecanismos de desmantelamento multidimensionais: gerar uma fissura na maquinaria de controle parai introduzir por aí uma pauta de ordem alterada ou estado alterado de consciência, para explorar o signo e o símbolo fora do contexto em que o aprisiona e impede a ruptura de nível. Para articular tanta informação erudita, a máquina do Parampara ou princípio multiplicador de sabedoria do plano move-se por seus dados não de uma forma racional, mas como Salvador Dali teria formulado de maneira precisa : por um método crítico-paranóico, juntando dados aparentemente isolados, impensados, numa livre associação de camadas interrelacionadas. Existe atualmente uma pretensão ou desejo de ser Babilônia por parte da Sociedade, diretamente influenciado pelo controle viral da Rede de Cloacas. Mas Babilônia, na verdade, foi uma matriz pornô ideológica onde se devoravam reflexos, neurônios, sujeitos e onde tudo tendia por fim a ser dissolvido na Unidade. E no mundo governado pela Rede de Cloacas, um liberal assustado se torna algo tão lamentável quanto um populista contente e uma aristocracia cultural de mentira é tão chula quanto uma República privada de intelecto, e isso não chega a ser nenhuma Babilônia. Os ''czartistas'' (esses pequenos czares subvencionados pelo estado e promovidos pela Rede de Cloacas ou até mesmo fundidos á ela) expressam o estado final de uma vanguarda leninista-castrista-maoísta, um rosto humano aninhado com o Grande Anticristo Planetário que preparam os ideólogos da Rede de Cloacas para constituir o indivíduo humano como Zumbi Intoxicado Terminal. Neste meu terceiro livro pretendo liberar um território absolutamente zerado e fecundado por uma posição de expósitos vulcânicos de resistência. Os que resistem estão hoje em dia em toda parte, apenas carecem de voz e ressonância: aquele que resiste pode ser definido simplesmente como um indivíduo que tem consciência do inimigo, de seus métodos operativos, e que está empenhado ativamente em combater este inimigo. Na escritura deste diário se entrecuzarão sonhos lúcidos, fragmentos de narrativa, citações próprias e alheias, frases de jornais e revistas, versos de velhas músicas de rock, idéias que se formam no fluxo de consciencia intensificada, parágrafos de cartas de amor, paisagens carentes de todo e qualquer contexto inteligível , com a inteção de alterar e expandir estados de consciência em mim mesmo e nos possíveis (e desde logo raros) leitores. William Burroughs dizia ainda que as palavras estavam vivas como animais e que elas não gostavam de ser enjauladas. De forma alguma pretendo impor relato, argumento, continuidade ou sentido a quem que que seja, e se por acaso isso aparece neste espaço é um puro produto aleatório. Na medida em que consigo um registro direto de certas áreas do processo psíquico vou me dando por satisfeito com qualquer estranhamento sugestivo e hipnótico que possa causar no leitor ou em mim mesmo: sobretudo quando alcanço registrar como funciona a mente de um intoxicado terminal da Rede de Cloacas apenas para pintar a história (até o ponto em que é realmente possível ver uma história nisto tudo) de um mundo subterrâneo de resistencia contra uma sociedade tecnológica autodestrutiva. Aqui pretendo não só despedaçar a linguagem em si, mas também a hipocrisia da moral burguesa, a manipulação da Rede de Cloacas e a condição pavorosa do indivíduo que aceita tudo isso passivamente. Como Jorge Luís Borges e Roberto Arlt, enfrento a estupidez humana apenas como um mero sistema literário inválido e sem maiores reações emocionais negativas, já que ''tudo se tornou escritura'', com previu corretamente Jacques Derridá. E já que se falou tanto em nirvana ainda á pouco, recordo que os sábios chineses diziam que para conhecer seu próprio valor um indivíduo tinha que aprender a escorrer pelo olho do dragão. Digo que aqueles sábios chineses estavam convencidos de que a Região Superior se encontrava sob a severa vigilância de um enorme dragão cujas escamas brilhavam como uma luz cegadora. Segundo acreditavam, os valentes que ousavam aproximar-se do dragão se aterrorizavam diante do seu brilho insuportável, da potência de sua chama que um mínimo tremeluzir triturava tudo e á qualquer movimento de aproximação mais atrevido convertia logo em cinzas tudo que estivesse ao seu alcance. Ainda assim, os ditos sábios taoístas também acreditavam que existia uma forma (única) de passar pelo inabordável dragão. Estavam seguros de que, ao fundir seu intento com o intento do dragão, era possível tornar-se invisível aos seus olhos e escorrer através de seu olho em direção á fonte desconhecida e temida da sua Luz. E esse era o segredo do que todas as tradições esotéricas da história humana chamam até hoje de iniciação, embora quase nenhuma conserve a sabedoria necessária para realizar essa proeza nos dias de hoje. E o que eu pretendia realizar com meu novo livro, era nada mais nada menos do que uma reprodução dessa passagem através do fogo de um futuro aberto na letra, no fogo do verbo mesmo. Uma mutação de fronteiras insuspeitadas, uma firma alucinada do nome sagrado que o ser humano precisa reaprender urgentemente a repetir e modular da maneira correta para voltar á ser ouvido pela Região Superior, e por outro lado essa contra-senha que vem nas inscrições de um verbo que se confunde com um ditado de vida ou morte e que descifraram ao longo da história, cada um do seu próprio modo, um Nietzsche ou um Kafka, cujos registros desse nome sagrado serviram como corpo sacrificial para abrir esse horizonte perdido, artístico, algo que permaneceu por milenios inascessível ás formas comuns de escrever e nomear, uma região decididamente inomeável para essa lógica que pretende racionalizar tudo como uma calculadora, e a questão tampouco pode ser resolvida como uma forma de tratar a cultura, pois se trata de uma superação definitiva da mesma. A grande epifania de palavras e silêncios que abrumou um James Joyce ou um Antonin Artaud não foi suficiente para matar essa ilusão da cultura que transforma tudo em produto. Imaginação de fogo em meio á anemia generalizada, claridade epifânica em meio ás trevas da máscara e do equívoco, cujos textos são mais próximos de oráculos do que de literatura propriamente dita, pois tratamos de falar a partir do centro mesmo da Luz mas imersos no pesadelo mascarado da contra-iniciação racionalista, invocando um dom e um ''nome sagrado'' segundo uma concepção desse mesmo nome que aparecerá na metáfora e na ressurreição de tudo aquilo que se perdeu dos antigos mistérios da iniciação. A maior sofisticação, mas também a maior eficiência - enquanto seja a que comunica a maior quantidade de informação - que nossa espécie desenvolveu enquanto uso das palavras é a metáfora, ou o símbolo com uma acentuada dimensão naõ-verbal. A metáfora atrai um nome perdido, uma epífora, e onde essas versões etimológicas do nome com as quais Santo Agosinho jogava (nomina, numina ,etc) são o tempo de um novo nome que abrirá o futuro, o de um sujeito de cuja complexidade e exigência falarão minhas palavras a partir de agora. E é na irupção atropelada desse futuro que se escreve e inscreve ao mesmo tempo, reinventando-se instantaneamente na bifurcação borbulhante do presente, em busca da modulação correta do seu ''nome'', que o fogo sagrado se fará ver e sentir. Em todas as tradições esotéricas é conhecido o caso das iniciações obtidas fora dos meios ordinários e normais, quando não existe vinculação conhecida ou filiação á nenhuma organização iniciática. A transmissão da influência espiritual imprescindível para o desenvolvimento iniciático se produz então de uma forma totalmente expcepcional. Este caso se conhece no esoterismo islâmico como a via dos Afrad ou autodidatas, e ocorre sobretudo quando não há condições de tempo ou lugar determinados, pois as organizações que possuem o autêntico depósito iniciático já não existem ou se tornaram tão fechadas ao público que ficaram inascessíveis. Pode ser no entanto que indivíduos com as qualificações energéticas adequadas se encontrem num meio assim, e num dado momento da sua existência terrestre sintam necessidade de atualizar essa potencialidade psíquica que marca sua qualificação inata. Isto é o que diferencia também as duas cadeias iniciáticas, pois uma é histórica e organizada e a outra é espontânea. Na espontânea há sempre um mestre, que pode estar ausente, oculto ou mesmo morto há séculos. A iniciação espontânea extrai do presente o que a iniciação organizada extrai da antiguidade, o que equivale dizer que o iniciado autodidata atualiza de forma vertical o nome de um mestre interno. A princípio dirigindo o ouvido para a corrente de meditação, a atenção do iniciado autodidata dissolve toda conceituação de som e silêncio que molda o mundo em que vive e passa a viver na super-consciência segura de uma plenitude física e psico-energética que envolve tudo á sua volta. ''E é fácil ver que os idiotas estão avivando-se, reunidos em grupos sombrios, e que os murmúrios crescem cada vez mais. A qualquer momento cinquenta mil adolescentes podem invadir as ruas com navalhas numa falange de guerra medieval. Chamem esses jovens subliminares para conversar e verão apenas uranos nascidos das novas condições de consciência. Cortem todas os rolos magnetofônicos e películas cinematográficas dos estúdios da realidade. Cortem todo o emaranhado de linhas telefônicas que cercam a Terra ¿Já ouviram falar do 'Método Operativo'' das Cloacas Magnetofônicas? 'Operativo Céu-Cloaca', também conhecido como 'Operativo de Liquidação Total'. Está bem, hijos de p, mas nós mostraremos antes como é o ''Operativo de ExposiçãoTotal da Rede de Cloacas''. A palavra Dharma não designa nada mais do que uma ''maneira de ser'', a maneira de um indivíduo se comportar, seja em totalidade ou em relação á uma situação particular. O Absoluto por excelência é o Nirvana (asamskrta) e o iniciado que tem acesso á sua percepção direta é um nirvani cujo Dharma lhe permite conhecer aquilo que não nasceu composto, que é irredutível, transcendente e está acima de toda experiência humana. Aquilo que não pode ser conhecido como se conhece uma cor, uma sensação, etc, nem é conhecido indiretamente por sua atividade tal como são conhecidos os órgãos dos sentidos. E no entanto sua natureza e sua atividade são objetos de conhecimento daquele que toma consciência do Nirvana.



busca por novos padrões de significado

William Blake não se tornou um herói do movimento radical estudantil de um passado recente por acaso. Profundamente impressionado com o ritmo de atividades irrefreáveis nas Revoluções Americana e Francesa, com todas suas consequências sociais, Blake aplicou princípios revolucionários em suas reflexões sobre o desenvolvimento dinâmico do indivíduo. Ele desejava derrubar todas as ''fundações '' religiosas e políticas; seus textos encorajavam cada um a procurar seus próprios valores espirituais e morais. Ele adotou uma posição anárquica, frente a frente com as posições ortodoxas do cristianismo contemporâneo e as noções tradicionais de bem e mal. Crenças racionais e científicas, que estavam sendo enunciadas na era do Iluminismo, foram invertidas por Blake em sua meditação sobre imagens internas que derivavam de emoções profundas e essenciais do homem, não de suas habilidades intelectuais ou técnicas adquiridas. Sobre isso, Blake antecipou o trabalho dos psícólogos contemporâneos, que reconhecem que todo evento externo é afetado pela pessoa que o experimenta e que seu emocional, bem como suas respostas cognitivas, são partes elementares do fenômeno que está sendo observado. Além disso, as imagens, em muitos dos livros de Blake, particularmente em suas últimas obras, mostravam identidade com seu tempo e lugar e adquiriram a qualidade universal de temas de contos e jóias mitológicas, que sempre reaparecem em lugares largamente distantes. Contraditoriamente, é apenas essa universalidade de tema e estilo que separa Blake como profeta do indivíduo; devido á sua indepêndencia das atitudes determinadas pela tradição contemporânea inglesa, ele foi atirado sobre suas próprias fontes para criar uma filosofia pessoal independente, que lhe daria o suporte necessário em sua busca por novos padrões de significado.
A psicologia analítica não pretende nunca opinar sobre o valor estético das obras de arte nem explicar o fenômeno da arte. Estas áreas pertencem aos críticos de arte. Seus pronunciamentos limitam-se a pesquisas concernentes aos processos de atividade criadora e ao estudo psicológico da estrutura da produção artísitca. Suacontribuição maior será a decifração das imagens simbólicas que tomam forma na obra de arte, trazendo luz sobre as significações que encerram e que excedem as possibilidades comuns de compreensão da época em que adquiriram vida. 
N perspectiva da análise´psicológica, Jung distingue dois processos diferentes na criação de obras literárias: o processo psicológico e O VISIONÁRIO. 
A) As obras resultantes da primeira de criar são compreendidas por seus leitores sem maiores dificuldades. Os temas em que se baseiam nos são conhecidos - as paixões, os sofrimentos do homem, seus feitos, as tragédias de seu destino. Pertencem a este tipo os romances de amor, o romance social, a poesia lírica, apoesia épica, comédias e tragédias. Poderemos acompanhar cheios de emoção as peripécias que se desenvolvem nessas obras, mas nunca elas nos comunicam sentimentos de ESTRANHEZA. O romancista e o poeta lírico tomam seus temas nas experiências vividas no curso da vida humana normal e, elevando-as ao plano da expressão artistica, universaliza-os. Os estudos psicológicos dessas obras nunca trazem contribuições importantes. 
B) As obras de arte visionárias causam perturbadora impressão de ESTRANHEZA. Não se trata das vicissitudes humanas por que passam seres conhecidos que aqui nos inquietam. O que ocorre é que esses artistas e suas obras se nos apresentam misteriosos e existem numa atmosfera ainda mais misteriosa. Nas obras de arte desse tipo a experiência humana comum ou o objeto que constituem o tema da elaboração artística nada tem que nos seja familiar. Sua essência nos é estranha e parece provir de distantes planos da natureza, das profundezas de outras eras ou de mundos de sombra ou de luz existentes para além do humano. Este tema é uma experiência primordial que excede a compreensão e face á qual o homem sente-se petrificado pela sua singularidade ou frieza ou dificuldade ou, ao contrário, pelo seu aspecto significativo e solene que parecem, tanto num quanto noutro caso,surgir do fundo das idades. 
Neste tipo de obra de arte (visionária) o artista não domina o ímpeto que dele se apodera. Simplesmente obedece e executa, ''sentindo que sua obra é bem maior que ele e, por este motivo, possui uma força que lhe é impossível comandar'' ..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................de 'formas de comportamento mental que não compreendemos direito'................................................................................................................................................................................................................................''Não temos nenhuma tradição de xamanismo,nenhuma tradição de se aventurar nesses mundos mentais... o Ocidente tem pavor do INCONSCIENTE.....................................isso acontece porque a mente ocidental é um castelo de cartas, e as pessoas que construíram e mantêm esse castelo sabem disso... por isso tem pavor do INCONSCIENTE....................................................................................................................................................................................................................................................EXISTE UMA ENORME FOBIA DA MENTE ENTRE NÓS,QUE FAZ COM QUE A MENTE OCIDENTAL SINTA-SE ENJOADA QUANDO OS PRIMEIROS PRINCÍPOS DESSA NARRATIVA CLAUSTROFÓBICA SÃO QUESTIONADOS...............................................................................................................................................a capacidade de criar o próprio mundo caracteriza todo ser vivo. O que diferencia o ser humano dos outros viventes é a imaginação radical, que, além de ter a capacidade de fazer ser o que não é no mundo simplesmente físico, de se representar à sua própria maneira, é constantemente criadora, fluxo espontâneo e incontrolável de representações, de afetos e de desejos........................................................................................................................................................................................o ser humano, inicialmente uma mônada psíquica fechada em si mesma, onipotente, ao interiorizar (ou introjetar) as significações imaginárias sociais (SIS) – elas próprias criações social-históricas –, é pouco a pouco socializado. Vai resguardar sempre a ambivalência dos afetos inconscientes – amor e ódio – em relação aos objetos psíquicos primordiais, o que é um exemplo de que a psique nunca é inteiramente socializada, mas, sob as pressões das instituições sociais, vai sendo dominada, parte dela renuncia à onipotência e reconhece o outro. O indivíduo torna-se social, interioriza a totalidade da instituição de sua sociedade e as significações imaginárias que a organizam. Em troca, a sociedade lhe oferece um sentido para a sua vida, quase sempre precário e frustrante....................................................................se transformados em fragmentos da sociedade instituída, os indivíduos passam a viver e a pensar na conformidade e na repetição, muitas vezes de forma bastante rígida; ficam à margem da atividade instituinte da sociedade; alimentam-se apenas do imaginário instituído; nunca interrogam o fundamento de suas crenças e das leis que os regem. Evidentemente, podem romper esse fechamento, libertar do recalque a imaginação radical. É essa capacidade que diferencia o ser humano – a de poder ser autônomo, livre do fechamento cognitivo, afetivo e desejante no qual o simples vivente permanece aprisionado..................................................................................................................................................................................................................................................................................................a impossibilidade [do determinismo] prende-se ao fato de que o social (ou histórico) contém o não-causal como um momento essencial.(...) [O não causal] aparece como comportamento não simplesmente “imprevisível”, mas criador (dos indivíduos, dos grupos, das classes ou das sociedades inteiras); não como simples desvio relativo a um tipo existente, mas como posição de um novo tipo de comportamento, como instituição de uma nova regra social, como invenção de um novo objeto ou de uma forma nova – em suma, como aparecimento ou produção que não se deixa deduzir a partir da situação precedente, conclusão que ultrapassa as premissas ou a posição de novas premissas.

K.M.

Boa noite! Um excelente sábado á todos..

Boa noite! Um excelente sábado á todos...
Sobre o alegre princípio norteador deste espaço:
Absorva o que lhe for útil, rejeite o que lhe for inútil. Acrescente o que é especificamente seu. O homem, criador individual, é sempre mais importante que qualquer estilo ou sistema estabelecido.
Bruce Lee
(...)
Amigo(a)s, 

escrevo aqui um dos fragmentos logológicos de Novalis, o de número 3, pois acho que expressa muito bem os intentos das discussões deste espaço.

"A letra é apenas um auxílio da comunicação filosófica, cuja essência própria consiste no suscitamento de uma determinada marcha de pensamento. O falante pensa produz - o ouvinte reflete - reproduz. As palavras são um meio enganoso do pré-pensar - veículo inidôneo de um estímulo determinado, específico. O genuíno falante é um indicador de caminho. Se o ouvinte é de fato desejoso da verdade, é preciso apenas um aceno, para fazê-lo encontrar aquilo que procura. A exposição da filosofia consiste portanto em puros temas - em proposições iniciais - princípios. Ela é só para amigos e amigas auto-ativos da verdade. O desenvolvimento analítico do tema é só para preguiçosos ou inexercitados. Estes últimos precisam aprender a voar através dele e a manter-se numa direção determinada. (...) Genuíno filosofar-em-conjunto é portanto uma expedição em comum em direção a um mundo amado - no qual nos revezamos mutuamente no posto mais avançado, que torna necessária a tensão máxima contra o elemento resistente, no qual voamos".

(...)
Novamente recorro á Novalise  Bruce Lee..
''Nenhum caminho por caminho, nenhum limite por limite.'' 
Bruce Lee 
E Novalis... 
Trata-se, agora, do fragmento logológico 21, e que me parece uma proposta de um princípio transcendental, que dá sentido, no caso da proposta romântica, à poesia do poeta-filósofo. Vocês vão notar que apesar de transcendente, o referencial guarda uma profunda subjetividade.

"Há certas ficções em nós, que parecem ter um caráter totalmente outro, que as demais, pois são acompanhadas do sentido de necessidade, e no entanto não se apresenta nenhum fundamento externo para elas. Parece ao ser humano, como se ele estivesse envolvido em um diálogo, e algum ser desconhecido, espiritual, o ocasionasse de um modo prodigioso ao desenvolvimento dos pensamentos mais evidentes. Esse ser tem de ser um ser superior, porque se põe em relação com ele de uma maneira que não é possível a nenhum ser ligado a fenômenos - Tem de ser um ser homogêneno, porque o trata como um ser espiritual e o solicita apenas à mais rara auto-atividade. Esse eu de espécie superior relaciona-se ao homem, como o homem à natureza, ou como sábio à criança. O homem anseia igualar-se a ele, assim como procura tornar o não-eu igual a si".

(...)
Nesta relação muito sumária, além dos perenialistas de ontem e de hoje, guias da Tradição Perene ou do "caminho sem caminho", defensores do privilégio à intuição intelectual, ao verdadeiro e tradicional μέθοδος (meta-hodos; hodos = caminho; meta = além do), indicam-se também àqueles eventualmente por eles referenciados e outros que consideramos notáveis, especialmente por seus próprios passos na trilha do verdadeiro conhecimento, recolhendo como abelhas na floração da Tradição, aqui e acolá.. Vale lembrar, como esclarece Miguel Asin Palacios em seu estudo sobre o grandioso Poeta Mísitco e Mestre Espiritual Islâmico Sufi Mohydyin Ibn Arabi, que a vida espiritual de há muito é considerada como CAMINHO e COMBATE. Citando Santo Agostinho, que a denominava "viagem e caminho" (iter, via), e João Clímaco que a chamava xeniteia (viagem ao estrangeiro), Asin Palacios acentua a dimensão de  LUTA, combate da ALMA contra os VÍCIOS, para vencê-los e adquirir as virtudes opostas. Os ascetas cristãos a chamavam por isto de agonisma, como os muçulmanos de mochahada.

Whitall Perry nos oferece inúmeras citações dos caminhantes em seu magnífico Tesouro da Sabedoria Tradicional. Em um dos capítulos dedicado à Peregrinação, nos introduz ao tema apresentando brevemente a noção tradicional de "CAMINHO":

O TAO (chines) pode ser traduzido simplesmente como “Caminho”, assim como no budismo, o Maha-yana é o “Grande Caminho”, e no Hinduísmo o Deva-yana é o “Caminho dos Deuses”, enquanto na cristandade Cristo diz, “Eu sou o Caminho”. No judaísmo, Moisés conduz os israelitas para fora do Egito e mostra o Caminho para a Terra Santa, também no Islã o Profeta conduz o Caminho à Meca. Interiormente este é o “Reto Caminho” (sirat al-mustaqim; a tariqah sufi = Caminho), o “Caminho Estreito” dos Evangelhos, e “Estrada Vermelha” dos Índios Sioux, ou “Santo Caminho” (Shodo) dos japoneses. Todos estes Caminhos alcançam sua confluência no Eixo do Mundo, que une os diferentes estados do ser a sua Fonte incriada. O Caminho pode igualmente ser visto como uma Peregrinação (a Jerusalém, Meca, Lhasa, Benares, Ise), ou como a Demanda (do Santo Graal), do Paraíso Terrestre, da Fonte da Imortalidade) ou a Viagem.

(...)
Há muitos caminhos, em muitas culturas diferentes... é sábio (não segui-los cegamente) mas aprender a CONSIRERA-LOS, o que equivale a dizer ''ESTAR JUNTO COM ELES NAS ESTRELAS'' ('CON-SIDERAR' significa isso etimologicamente) 
Além do mais eles tiveram êxito em realizar a operatividade do segredo de que MIRROR (espelho) y MIRAR (ver) querem dizer arcaicamente sorrir, rir estupefacto y nem tão antigamente assim (digo: até outro dia mesmo, por exemplo até o século X a.C. na ''Espanha'') significava MILAGRAR, MILAGRE...

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A única coisa que distingue o homem do animal é o riso (PASCAL)
...e essa razão de ser é a subversão permanente e dinâmica do espírito através do que ALBERTO MAGNO (diante da Virgem Maria) definiu como a ''comicidade do cósmico e a cósmicidade do cômico'', deduzido a partir do apotegma medieval de que TUDO QUE SAI DO ABSOLUTO, INCLUSIVE OS ANJOS, É CÔMICO (''existe uma tradição católica que diz que ALBERTO MAGNO esteve ante a Virgem Maria que se apresentou a ele como SOFiA e que nessa oportunidade teria lhe ensinado que a verdadeira sabedoria sagrada era O DESPREOCUPADO y REVIGORANTE RISO... 

(...)