quarta-feira, 16 de julho de 2014

busca por novos padrões de significado

William Blake não se tornou um herói do movimento radical estudantil de um passado recente por acaso. Profundamente impressionado com o ritmo de atividades irrefreáveis nas Revoluções Americana e Francesa, com todas suas consequências sociais, Blake aplicou princípios revolucionários em suas reflexões sobre o desenvolvimento dinâmico do indivíduo. Ele desejava derrubar todas as ''fundações '' religiosas e políticas; seus textos encorajavam cada um a procurar seus próprios valores espirituais e morais. Ele adotou uma posição anárquica, frente a frente com as posições ortodoxas do cristianismo contemporâneo e as noções tradicionais de bem e mal. Crenças racionais e científicas, que estavam sendo enunciadas na era do Iluminismo, foram invertidas por Blake em sua meditação sobre imagens internas que derivavam de emoções profundas e essenciais do homem, não de suas habilidades intelectuais ou técnicas adquiridas. Sobre isso, Blake antecipou o trabalho dos psícólogos contemporâneos, que reconhecem que todo evento externo é afetado pela pessoa que o experimenta e que seu emocional, bem como suas respostas cognitivas, são partes elementares do fenômeno que está sendo observado. Além disso, as imagens, em muitos dos livros de Blake, particularmente em suas últimas obras, mostravam identidade com seu tempo e lugar e adquiriram a qualidade universal de temas de contos e jóias mitológicas, que sempre reaparecem em lugares largamente distantes. Contraditoriamente, é apenas essa universalidade de tema e estilo que separa Blake como profeta do indivíduo; devido á sua indepêndencia das atitudes determinadas pela tradição contemporânea inglesa, ele foi atirado sobre suas próprias fontes para criar uma filosofia pessoal independente, que lhe daria o suporte necessário em sua busca por novos padrões de significado.
A psicologia analítica não pretende nunca opinar sobre o valor estético das obras de arte nem explicar o fenômeno da arte. Estas áreas pertencem aos críticos de arte. Seus pronunciamentos limitam-se a pesquisas concernentes aos processos de atividade criadora e ao estudo psicológico da estrutura da produção artísitca. Suacontribuição maior será a decifração das imagens simbólicas que tomam forma na obra de arte, trazendo luz sobre as significações que encerram e que excedem as possibilidades comuns de compreensão da época em que adquiriram vida. 
N perspectiva da análise´psicológica, Jung distingue dois processos diferentes na criação de obras literárias: o processo psicológico e O VISIONÁRIO. 
A) As obras resultantes da primeira de criar são compreendidas por seus leitores sem maiores dificuldades. Os temas em que se baseiam nos são conhecidos - as paixões, os sofrimentos do homem, seus feitos, as tragédias de seu destino. Pertencem a este tipo os romances de amor, o romance social, a poesia lírica, apoesia épica, comédias e tragédias. Poderemos acompanhar cheios de emoção as peripécias que se desenvolvem nessas obras, mas nunca elas nos comunicam sentimentos de ESTRANHEZA. O romancista e o poeta lírico tomam seus temas nas experiências vividas no curso da vida humana normal e, elevando-as ao plano da expressão artistica, universaliza-os. Os estudos psicológicos dessas obras nunca trazem contribuições importantes. 
B) As obras de arte visionárias causam perturbadora impressão de ESTRANHEZA. Não se trata das vicissitudes humanas por que passam seres conhecidos que aqui nos inquietam. O que ocorre é que esses artistas e suas obras se nos apresentam misteriosos e existem numa atmosfera ainda mais misteriosa. Nas obras de arte desse tipo a experiência humana comum ou o objeto que constituem o tema da elaboração artística nada tem que nos seja familiar. Sua essência nos é estranha e parece provir de distantes planos da natureza, das profundezas de outras eras ou de mundos de sombra ou de luz existentes para além do humano. Este tema é uma experiência primordial que excede a compreensão e face á qual o homem sente-se petrificado pela sua singularidade ou frieza ou dificuldade ou, ao contrário, pelo seu aspecto significativo e solene que parecem, tanto num quanto noutro caso,surgir do fundo das idades. 
Neste tipo de obra de arte (visionária) o artista não domina o ímpeto que dele se apodera. Simplesmente obedece e executa, ''sentindo que sua obra é bem maior que ele e, por este motivo, possui uma força que lhe é impossível comandar'' ..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................de 'formas de comportamento mental que não compreendemos direito'................................................................................................................................................................................................................................''Não temos nenhuma tradição de xamanismo,nenhuma tradição de se aventurar nesses mundos mentais... o Ocidente tem pavor do INCONSCIENTE.....................................isso acontece porque a mente ocidental é um castelo de cartas, e as pessoas que construíram e mantêm esse castelo sabem disso... por isso tem pavor do INCONSCIENTE....................................................................................................................................................................................................................................................EXISTE UMA ENORME FOBIA DA MENTE ENTRE NÓS,QUE FAZ COM QUE A MENTE OCIDENTAL SINTA-SE ENJOADA QUANDO OS PRIMEIROS PRINCÍPOS DESSA NARRATIVA CLAUSTROFÓBICA SÃO QUESTIONADOS...............................................................................................................................................a capacidade de criar o próprio mundo caracteriza todo ser vivo. O que diferencia o ser humano dos outros viventes é a imaginação radical, que, além de ter a capacidade de fazer ser o que não é no mundo simplesmente físico, de se representar à sua própria maneira, é constantemente criadora, fluxo espontâneo e incontrolável de representações, de afetos e de desejos........................................................................................................................................................................................o ser humano, inicialmente uma mônada psíquica fechada em si mesma, onipotente, ao interiorizar (ou introjetar) as significações imaginárias sociais (SIS) – elas próprias criações social-históricas –, é pouco a pouco socializado. Vai resguardar sempre a ambivalência dos afetos inconscientes – amor e ódio – em relação aos objetos psíquicos primordiais, o que é um exemplo de que a psique nunca é inteiramente socializada, mas, sob as pressões das instituições sociais, vai sendo dominada, parte dela renuncia à onipotência e reconhece o outro. O indivíduo torna-se social, interioriza a totalidade da instituição de sua sociedade e as significações imaginárias que a organizam. Em troca, a sociedade lhe oferece um sentido para a sua vida, quase sempre precário e frustrante....................................................................se transformados em fragmentos da sociedade instituída, os indivíduos passam a viver e a pensar na conformidade e na repetição, muitas vezes de forma bastante rígida; ficam à margem da atividade instituinte da sociedade; alimentam-se apenas do imaginário instituído; nunca interrogam o fundamento de suas crenças e das leis que os regem. Evidentemente, podem romper esse fechamento, libertar do recalque a imaginação radical. É essa capacidade que diferencia o ser humano – a de poder ser autônomo, livre do fechamento cognitivo, afetivo e desejante no qual o simples vivente permanece aprisionado..................................................................................................................................................................................................................................................................................................a impossibilidade [do determinismo] prende-se ao fato de que o social (ou histórico) contém o não-causal como um momento essencial.(...) [O não causal] aparece como comportamento não simplesmente “imprevisível”, mas criador (dos indivíduos, dos grupos, das classes ou das sociedades inteiras); não como simples desvio relativo a um tipo existente, mas como posição de um novo tipo de comportamento, como instituição de uma nova regra social, como invenção de um novo objeto ou de uma forma nova – em suma, como aparecimento ou produção que não se deixa deduzir a partir da situação precedente, conclusão que ultrapassa as premissas ou a posição de novas premissas.

K.M.

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