luz que brota de um iniciado não pode ser apropriada ou assimilada pelo limitadíssimo universo de discursos da Rede de Cloacas, onde o ''valor'' do indivíduo é classificado em graus de nivelação mecânica desprovidos de qualquer sentido ou relação com a realidade. A luz de um autentico iniciado sempre procura quebrar, destruir essa superfície social e individual prévia da Rede de Cloacas, com o obejtivo de produzir um salto de consciência no próximo. É natural que a recepção desse tipo de conhecimento traga tensões e dificuldades, por que desregra os laços mediante os quais o próximo acredita se orientar, o que por vezes soa como uma exigência demasiada e infundada para algumas pessoas. O que não se consome por causa disso é a energia dessa escritura, que assume uma diversidade de mortes e duelos próprios de uma modernidade órfã mas sem nunca se identificar com ela, para assim poder anunciar um futuro em bruto para sua própria evolução.(---- se o Monopólio está esparramado por todo o campo social é necessário quebrar sua sintaxe e criar interferências em suas estruturas de linguagem. Quando as linhas são cortadas as conexões engessadas se rompem, pois as linhas de associação do pensamento-escritura são também mecanismos de controle. Um vírus criado para evitar a expansão da consciência. Posto que o controle é um biopoder de todo o campo, os métodos de escritura dos avatares da Resistência devem ser fluidos e luminosos mecanismos de desmantelamento multidimensionais: gerar uma fissura na maquinaria de controle parai introduzir por aí uma pauta de ordem alterada ou estado alterado de consciência, para explorar o signo e o símbolo fora do contexto em que o aprisiona e impede a ruptura de nível. Para articular tanta informação erudita, a máquina do Parampara ou princípio multiplicador de sabedoria do plano move-se por seus dados não de uma forma racional, mas como Salvador Dali teria formulado de maneira precisa : por um método crítico-paranóico, juntando dados aparentemente isolados, impensados, numa livre associação de camadas interrelacionadas. Existe atualmente uma pretensão ou desejo de ser Babilônia por parte da Sociedade, diretamente influenciado pelo controle viral da Rede de Cloacas. Mas Babilônia, na verdade, foi uma matriz pornô ideológica onde se devoravam reflexos, neurônios, sujeitos e onde tudo tendia por fim a ser dissolvido na Unidade. E no mundo governado pela Rede de Cloacas, um liberal assustado se torna algo tão lamentável quanto um populista contente e uma aristocracia cultural de mentira é tão chula quanto uma República privada de intelecto, e isso não chega a ser nenhuma Babilônia. Os ''czartistas'' (esses pequenos czares subvencionados pelo estado e promovidos pela Rede de Cloacas ou até mesmo fundidos á ela) expressam o estado final de uma vanguarda leninista-castrista-maoísta, um rosto humano aninhado com o Grande Anticristo Planetário que preparam os ideólogos da Rede de Cloacas para constituir o indivíduo humano como Zumbi Intoxicado Terminal. Neste meu terceiro livro pretendo liberar um território absolutamente zerado e fecundado por uma posição de expósitos vulcânicos de resistência. Os que resistem estão hoje em dia em toda parte, apenas carecem de voz e ressonância: aquele que resiste pode ser definido simplesmente como um indivíduo que tem consciência do inimigo, de seus métodos operativos, e que está empenhado ativamente em combater este inimigo. Na escritura deste diário se entrecuzarão sonhos lúcidos, fragmentos de narrativa, citações próprias e alheias, frases de jornais e revistas, versos de velhas músicas de rock, idéias que se formam no fluxo de consciencia intensificada, parágrafos de cartas de amor, paisagens carentes de todo e qualquer contexto inteligível , com a inteção de alterar e expandir estados de consciência em mim mesmo e nos possíveis (e desde logo raros) leitores. William Burroughs dizia ainda que as palavras estavam vivas como animais e que elas não gostavam de ser enjauladas. De forma alguma pretendo impor relato, argumento, continuidade ou sentido a quem que que seja, e se por acaso isso aparece neste espaço é um puro produto aleatório. Na medida em que consigo um registro direto de certas áreas do processo psíquico vou me dando por satisfeito com qualquer estranhamento sugestivo e hipnótico que possa causar no leitor ou em mim mesmo: sobretudo quando alcanço registrar como funciona a mente de um intoxicado terminal da Rede de Cloacas apenas para pintar a história (até o ponto em que é realmente possível ver uma história nisto tudo) de um mundo subterrâneo de resistencia contra uma sociedade tecnológica autodestrutiva. Aqui pretendo não só despedaçar a linguagem em si, mas também a hipocrisia da moral burguesa, a manipulação da Rede de Cloacas e a condição pavorosa do indivíduo que aceita tudo isso passivamente. Como Jorge Luís Borges e Roberto Arlt, enfrento a estupidez humana apenas como um mero sistema literário inválido e sem maiores reações emocionais negativas, já que ''tudo se tornou escritura'', com previu corretamente Jacques Derridá. E já que se falou tanto em nirvana ainda á pouco, recordo que os sábios chineses diziam que para conhecer seu próprio valor um indivíduo tinha que aprender a escorrer pelo olho do dragão. Digo que aqueles sábios chineses estavam convencidos de que a Região Superior se encontrava sob a severa vigilância de um enorme dragão cujas escamas brilhavam como uma luz cegadora. Segundo acreditavam, os valentes que ousavam aproximar-se do dragão se aterrorizavam diante do seu brilho insuportável, da potência de sua chama que um mínimo tremeluzir triturava tudo e á qualquer movimento de aproximação mais atrevido convertia logo em cinzas tudo que estivesse ao seu alcance. Ainda assim, os ditos sábios taoístas também acreditavam que existia uma forma (única) de passar pelo inabordável dragão. Estavam seguros de que, ao fundir seu intento com o intento do dragão, era possível tornar-se invisível aos seus olhos e escorrer através de seu olho em direção á fonte desconhecida e temida da sua Luz. E esse era o segredo do que todas as tradições esotéricas da história humana chamam até hoje de iniciação, embora quase nenhuma conserve a sabedoria necessária para realizar essa proeza nos dias de hoje. E o que eu pretendia realizar com meu novo livro, era nada mais nada menos do que uma reprodução dessa passagem através do fogo de um futuro aberto na letra, no fogo do verbo mesmo. Uma mutação de fronteiras insuspeitadas, uma firma alucinada do nome sagrado que o ser humano precisa reaprender urgentemente a repetir e modular da maneira correta para voltar á ser ouvido pela Região Superior, e por outro lado essa contra-senha que vem nas inscrições de um verbo que se confunde com um ditado de vida ou morte e que descifraram ao longo da história, cada um do seu próprio modo, um Nietzsche ou um Kafka, cujos registros desse nome sagrado serviram como corpo sacrificial para abrir esse horizonte perdido, artístico, algo que permaneceu por milenios inascessível ás formas comuns de escrever e nomear, uma região decididamente inomeável para essa lógica que pretende racionalizar tudo como uma calculadora, e a questão tampouco pode ser resolvida como uma forma de tratar a cultura, pois se trata de uma superação definitiva da mesma. A grande epifania de palavras e silêncios que abrumou um James Joyce ou um Antonin Artaud não foi suficiente para matar essa ilusão da cultura que transforma tudo em produto. Imaginação de fogo em meio á anemia generalizada, claridade epifânica em meio ás trevas da máscara e do equívoco, cujos textos são mais próximos de oráculos do que de literatura propriamente dita, pois tratamos de falar a partir do centro mesmo da Luz mas imersos no pesadelo mascarado da contra-iniciação racionalista, invocando um dom e um ''nome sagrado'' segundo uma concepção desse mesmo nome que aparecerá na metáfora e na ressurreição de tudo aquilo que se perdeu dos antigos mistérios da iniciação. A maior sofisticação, mas também a maior eficiência - enquanto seja a que comunica a maior quantidade de informação - que nossa espécie desenvolveu enquanto uso das palavras é a metáfora, ou o símbolo com uma acentuada dimensão naõ-verbal. A metáfora atrai um nome perdido, uma epífora, e onde essas versões etimológicas do nome com as quais Santo Agosinho jogava (nomina, numina ,etc) são o tempo de um novo nome que abrirá o futuro, o de um sujeito de cuja complexidade e exigência falarão minhas palavras a partir de agora. E é na irupção atropelada desse futuro que se escreve e inscreve ao mesmo tempo, reinventando-se instantaneamente na bifurcação borbulhante do presente, em busca da modulação correta do seu ''nome'', que o fogo sagrado se fará ver e sentir. Em todas as tradições esotéricas é conhecido o caso das iniciações obtidas fora dos meios ordinários e normais, quando não existe vinculação conhecida ou filiação á nenhuma organização iniciática. A transmissão da influência espiritual imprescindível para o desenvolvimento iniciático se produz então de uma forma totalmente expcepcional. Este caso se conhece no esoterismo islâmico como a via dos Afrad ou autodidatas, e ocorre sobretudo quando não há condições de tempo ou lugar determinados, pois as organizações que possuem o autêntico depósito iniciático já não existem ou se tornaram tão fechadas ao público que ficaram inascessíveis. Pode ser no entanto que indivíduos com as qualificações energéticas adequadas se encontrem num meio assim, e num dado momento da sua existência terrestre sintam necessidade de atualizar essa potencialidade psíquica que marca sua qualificação inata. Isto é o que diferencia também as duas cadeias iniciáticas, pois uma é histórica e organizada e a outra é espontânea. Na espontânea há sempre um mestre, que pode estar ausente, oculto ou mesmo morto há séculos. A iniciação espontânea extrai do presente o que a iniciação organizada extrai da antiguidade, o que equivale dizer que o iniciado autodidata atualiza de forma vertical o nome de um mestre interno. A princípio dirigindo o ouvido para a corrente de meditação, a atenção do iniciado autodidata dissolve toda conceituação de som e silêncio que molda o mundo em que vive e passa a viver na super-consciência segura de uma plenitude física e psico-energética que envolve tudo á sua volta. ''E é fácil ver que os idiotas estão avivando-se, reunidos em grupos sombrios, e que os murmúrios crescem cada vez mais. A qualquer momento cinquenta mil adolescentes podem invadir as ruas com navalhas numa falange de guerra medieval. Chamem esses jovens subliminares para conversar e verão apenas uranos nascidos das novas condições de consciência. Cortem todas os rolos magnetofônicos e películas cinematográficas dos estúdios da realidade. Cortem todo o emaranhado de linhas telefônicas que cercam a Terra ¿Já ouviram falar do 'Método Operativo'' das Cloacas Magnetofônicas? 'Operativo Céu-Cloaca', também conhecido como 'Operativo de Liquidação Total'. Está bem, hijos de p, mas nós mostraremos antes como é o ''Operativo de ExposiçãoTotal da Rede de Cloacas''. A palavra Dharma não designa nada mais do que uma ''maneira de ser'', a maneira de um indivíduo se comportar, seja em totalidade ou em relação á uma situação particular. O Absoluto por excelência é o Nirvana (asamskrta) e o iniciado que tem acesso á sua percepção direta é um nirvani cujo Dharma lhe permite conhecer aquilo que não nasceu composto, que é irredutível, transcendente e está acima de toda experiência humana. Aquilo que não pode ser conhecido como se conhece uma cor, uma sensação, etc, nem é conhecido indiretamente por sua atividade tal como são conhecidos os órgãos dos sentidos. E no entanto sua natureza e sua atividade são objetos de conhecimento daquele que toma consciência do Nirvana.
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