quarta-feira, 16 de julho de 2014

Boa noite! Um excelente sábado á todos..

Boa noite! Um excelente sábado á todos...
Sobre o alegre princípio norteador deste espaço:
Absorva o que lhe for útil, rejeite o que lhe for inútil. Acrescente o que é especificamente seu. O homem, criador individual, é sempre mais importante que qualquer estilo ou sistema estabelecido.
Bruce Lee
(...)
Amigo(a)s, 

escrevo aqui um dos fragmentos logológicos de Novalis, o de número 3, pois acho que expressa muito bem os intentos das discussões deste espaço.

"A letra é apenas um auxílio da comunicação filosófica, cuja essência própria consiste no suscitamento de uma determinada marcha de pensamento. O falante pensa produz - o ouvinte reflete - reproduz. As palavras são um meio enganoso do pré-pensar - veículo inidôneo de um estímulo determinado, específico. O genuíno falante é um indicador de caminho. Se o ouvinte é de fato desejoso da verdade, é preciso apenas um aceno, para fazê-lo encontrar aquilo que procura. A exposição da filosofia consiste portanto em puros temas - em proposições iniciais - princípios. Ela é só para amigos e amigas auto-ativos da verdade. O desenvolvimento analítico do tema é só para preguiçosos ou inexercitados. Estes últimos precisam aprender a voar através dele e a manter-se numa direção determinada. (...) Genuíno filosofar-em-conjunto é portanto uma expedição em comum em direção a um mundo amado - no qual nos revezamos mutuamente no posto mais avançado, que torna necessária a tensão máxima contra o elemento resistente, no qual voamos".

(...)
Novamente recorro á Novalise  Bruce Lee..
''Nenhum caminho por caminho, nenhum limite por limite.'' 
Bruce Lee 
E Novalis... 
Trata-se, agora, do fragmento logológico 21, e que me parece uma proposta de um princípio transcendental, que dá sentido, no caso da proposta romântica, à poesia do poeta-filósofo. Vocês vão notar que apesar de transcendente, o referencial guarda uma profunda subjetividade.

"Há certas ficções em nós, que parecem ter um caráter totalmente outro, que as demais, pois são acompanhadas do sentido de necessidade, e no entanto não se apresenta nenhum fundamento externo para elas. Parece ao ser humano, como se ele estivesse envolvido em um diálogo, e algum ser desconhecido, espiritual, o ocasionasse de um modo prodigioso ao desenvolvimento dos pensamentos mais evidentes. Esse ser tem de ser um ser superior, porque se põe em relação com ele de uma maneira que não é possível a nenhum ser ligado a fenômenos - Tem de ser um ser homogêneno, porque o trata como um ser espiritual e o solicita apenas à mais rara auto-atividade. Esse eu de espécie superior relaciona-se ao homem, como o homem à natureza, ou como sábio à criança. O homem anseia igualar-se a ele, assim como procura tornar o não-eu igual a si".

(...)
Nesta relação muito sumária, além dos perenialistas de ontem e de hoje, guias da Tradição Perene ou do "caminho sem caminho", defensores do privilégio à intuição intelectual, ao verdadeiro e tradicional μέθοδος (meta-hodos; hodos = caminho; meta = além do), indicam-se também àqueles eventualmente por eles referenciados e outros que consideramos notáveis, especialmente por seus próprios passos na trilha do verdadeiro conhecimento, recolhendo como abelhas na floração da Tradição, aqui e acolá.. Vale lembrar, como esclarece Miguel Asin Palacios em seu estudo sobre o grandioso Poeta Mísitco e Mestre Espiritual Islâmico Sufi Mohydyin Ibn Arabi, que a vida espiritual de há muito é considerada como CAMINHO e COMBATE. Citando Santo Agostinho, que a denominava "viagem e caminho" (iter, via), e João Clímaco que a chamava xeniteia (viagem ao estrangeiro), Asin Palacios acentua a dimensão de  LUTA, combate da ALMA contra os VÍCIOS, para vencê-los e adquirir as virtudes opostas. Os ascetas cristãos a chamavam por isto de agonisma, como os muçulmanos de mochahada.

Whitall Perry nos oferece inúmeras citações dos caminhantes em seu magnífico Tesouro da Sabedoria Tradicional. Em um dos capítulos dedicado à Peregrinação, nos introduz ao tema apresentando brevemente a noção tradicional de "CAMINHO":

O TAO (chines) pode ser traduzido simplesmente como “Caminho”, assim como no budismo, o Maha-yana é o “Grande Caminho”, e no Hinduísmo o Deva-yana é o “Caminho dos Deuses”, enquanto na cristandade Cristo diz, “Eu sou o Caminho”. No judaísmo, Moisés conduz os israelitas para fora do Egito e mostra o Caminho para a Terra Santa, também no Islã o Profeta conduz o Caminho à Meca. Interiormente este é o “Reto Caminho” (sirat al-mustaqim; a tariqah sufi = Caminho), o “Caminho Estreito” dos Evangelhos, e “Estrada Vermelha” dos Índios Sioux, ou “Santo Caminho” (Shodo) dos japoneses. Todos estes Caminhos alcançam sua confluência no Eixo do Mundo, que une os diferentes estados do ser a sua Fonte incriada. O Caminho pode igualmente ser visto como uma Peregrinação (a Jerusalém, Meca, Lhasa, Benares, Ise), ou como a Demanda (do Santo Graal), do Paraíso Terrestre, da Fonte da Imortalidade) ou a Viagem.

(...)
Há muitos caminhos, em muitas culturas diferentes... é sábio (não segui-los cegamente) mas aprender a CONSIRERA-LOS, o que equivale a dizer ''ESTAR JUNTO COM ELES NAS ESTRELAS'' ('CON-SIDERAR' significa isso etimologicamente) 
Além do mais eles tiveram êxito em realizar a operatividade do segredo de que MIRROR (espelho) y MIRAR (ver) querem dizer arcaicamente sorrir, rir estupefacto y nem tão antigamente assim (digo: até outro dia mesmo, por exemplo até o século X a.C. na ''Espanha'') significava MILAGRAR, MILAGRE...

(;;;)
A única coisa que distingue o homem do animal é o riso (PASCAL)
...e essa razão de ser é a subversão permanente e dinâmica do espírito através do que ALBERTO MAGNO (diante da Virgem Maria) definiu como a ''comicidade do cósmico e a cósmicidade do cômico'', deduzido a partir do apotegma medieval de que TUDO QUE SAI DO ABSOLUTO, INCLUSIVE OS ANJOS, É CÔMICO (''existe uma tradição católica que diz que ALBERTO MAGNO esteve ante a Virgem Maria que se apresentou a ele como SOFiA e que nessa oportunidade teria lhe ensinado que a verdadeira sabedoria sagrada era O DESPREOCUPADO y REVIGORANTE RISO... 

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