quarta-feira, 16 de julho de 2014

A palavra “tradição”

A palavra “tradição” costuma ser usada para encobertar muita coisa negativa –convenção, atavismo, opressão. Os falsos profetas se beneficiaram do caráter aberto da Sociedade Teosófica, mas depois fecharam as suas entidades, provando não serem bem intencionados, mas antes uma espécie de “refugo” seu, através das tergiversações e redundâncias doutrinais que buscaram catalogar. Já os legítimos mensageiros espirituais tratam é de aprofundar o conhecimento já existente, inclusive na dimensão pragmática e oculta, e ao mesmo tempo dar-lhe abertura social. 
Ou será que devemos crer necessariamente, que “o terreno do misticismo (é) o campo do irracional” (Sebastião V. Vidal)? Talvez o misticismo sim, mas o Esoterismo jamais deveria ser. A raça árya trouxe o beneplácito da razão como uma conquista a mais, e graças a Deus não somos mais pré-racionais, ou totalmente sujeitos por esta razão ao fanatismo religioso e sectário. O saber mental áryo possibilitou organizar muita coisa, inclusive dentro da alma humana, aportando a energia do universalismo.
Assim, aqueles que rumam seriamente para uma nova Idade de Ouro, têm o dever de buscar “a síntese da ciência, da religião e da filosofia” numa base criativa e artística, ao invés de tergiversar na especulação através de jogos mentais infrutíferos, que é uma forma esotericamente “impúbere” de subordinar o mental ao emocional. Já sabemos que, nisto, não toca apenas à Ciência mudar, o Hermetismo -ou antes, o Esoterismo- também deve abrir a sua linguagem.
Assim, nem toda informação velada é maliciosa, mas muito está realmente destinado a ser desvelado sob as devidas balizas do tempo. O verdadeiro significado da preconizada reabertura das escolas de iniciação na conclusão do Plano da Hierarquia, representa acima de tudo, uma abertura da sua própria linguagem, poder de síntese e, em particular o alcance de um pragmatismo universalista definitivo. Ou seja: 
O cenário da nova era não é de uma casta 
ditando regras e insinuando hermetismos, 
mas a oferta de uma sabedoria disseminada por toda parte, 
fomentando a unidade-na-diversidade. 
Onde céu e terra se fundem numa só unidade 
E as instituições sejam facetas da Verdade Una 
Onde a Verdade brilhe na razão e no coração 
Assim como para o pobre e para o rico.

As novas informações estão voltadas para uma sistematização, organização e depuração das informações anteriores, empregando nisto arquétipos, a ciência dos ciclos e as leis-de-evolução, num verdadeiro espírito-de-síntese e ainda mais. 
Devemos superar a etapa das crenças, do misticismo e dos boatos esotéricos, assim como das informações isoladas, anti-científicas, simbólicas e veladas, independente de virem ou não de supostas “autoridades” desta transição, antes importando mesmo é o chamado “bom senso”, tais como a respeito dos mitos sobre existência de civilizações com “milhões” de anos ou mesmo com centenas de milhares. Antes acreditando naquilo que a Ciência diz mas confluindo com a espiritualidade e a Tradição das Idades, de uma forma ecumênica portanto, e tendo por base especialmente as sóbrias e ponderadas avaliações da Tradição Perene, capaz de promover o equilibro e a unidade-na-diversidade ou o universalismo renovador, e trazendo daí a promessa segura de uma renovação das coisas.
Quem pensasse que existe uma tradição não corrompida hoje em dia, estaria muito equivocado, e tanto mais se esta tradição for detalhada, porque a transmissão tem sido muito corrompida. Mesmo as novas recepções de saberes ainda têm sido distorcidas e se acham em preparação. Portanto, a verdade é algo que ainda está sendo reconstruída e renovada, através das sínteses e de novas mateses. E nisto, qualquer um pode tentar colocar a sua pedrinha, e tanto mais quem realmente se dedicar ao assunto e tiver o carma adequado para tal.
Saber que a própria Helena Roerich acusou Alice A. Bailey (e ambas foram muito importantes para o amadurecimento e a conclusão do Plano!, em momentos mais ou menos diferentes) de ligação com a Loja Negra choca e traz à tona algumas questões. 
A primeira e a mais evidente delas, seria sobre o orgulho, a rivalidade e os preconceitos geralmente persistentes entre os iniciados que ainda não alcançaram a quarta iniciação (como apontam mitos como o dos aguerridos cíclopes), e que seria mais forte na pessoa de Roerich. Soa óbvio que ela deveria ser uma personalidade “exuberante” – aliás, gosto de analisar Bailey-Roerich como “desdobramentos” de duas facetas principais de Blavatsky, a intelectual e a guerreira, questões sabidamente unidas em vários mitos como o de Minerva. 
Outra questão, diria respeito ao maior alcance perceptivo de Bailey sobre as verdadeiras energias de Shambala, coisa à qual os Roerich muito aspiraram mas talvez apenas tenham tangenciado o mistério. Algumas vezes, Bailey fala desta poderosa e misteriosa energia que está “além do amor, da consciência e da Hierarquia” e dá muitas chaves para a sua compreensão e aproximação. 
Esta energia oculta costuma ser representada pela cor negra de Shiva (mas também de Krishna), assim como o aspecto “Pai” da Trindade como o Deus guerreiro e vingador do Velho Testamento. 
Estaria velada pela idéia das “deidades iradas” (ou apenas poderosas) do Budismo Tântrico, onde o mito teosófico dos Pratyekas como “Budas egoístas” refletiria tais incompreensões, assim como certos atributos generalizados de certo tipo de xamãs como “magos negros”, algo como se acha em “A Voz do Silêncio” a respeito dos “Dugpas” do Tibet, que é nada menos que a Escola de Padma Sambhava, mais ou menos ligada à seita Bön do Tibet, a qual hoje em dia até o próprio Dalai Lama respeita.
Muito embora se saiba que o Tibet realmente representa hoje o mais poderoso e protegido reduto de magia negra do mundo, especialmente por causa da proteção que o governo comunista da China dá à seita Bön e por ter perseguido o Lamaísmo com a ajuda destes últimos. Governo cujo ódio á alta espiritualidade começou com o assassinato em série de grandes mestres taoistas e culminou com a invasão ainda mais criminosa do Tibet.

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