“Para teres acesso ao fogo, acende uma chama.” (dito rosacruz)
Entre o estado de relaxamento psíquico e o do despreendimento completo da consciencia , existe uma diferença de nível que o ato de respirar, por si só, não pode compensar. Para diluir a influência do Eu no campo da consciencia que medita, é necessário cortar toda as amarras, sejam quais forem, para que a alma, submergida em si mesma, recupere todo o poder de sua indizível origem.
Não é possível fechar a porta dos sentidos através de uma simples reclusão, mas de uma disposição de ceder sem resistência. Certamente a alma precisa deste apoio íntimo, que é o ato de respirar. Ele deve ser executado conscientemente, com um cuidado beirando a afetação. Tanto a inspiração como a expiração precisam ser praticadas em separado e com a maior atenção. Os bons resultados desses exercíciosnão tardam. Quanto mais intensa a concentração na respiração, , mais rapidamente desaparecem os estímulos exteriores, pois eles se confundem com vagos murmúrios a que prestamos cada vez menos atenção, até que deixem de nos perturbar, como o ruído das ondas quebrando na praia.
Com o passar do tempo, conseguimos nos insensibilzar para estímulos fortes e deles nos desprender com maior facilidade e desprendimento.
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(É importante, porém, que nosso corpo esteja numa posição estática e o mais relaxado possível e concetrado na respiração: se optar pela posição deitada, prefira uma superficie dura como o chão ou um colchão fino, para diminuir o risco de dormir. A posição de ''estrela'' no chão é a mais utilizada por Mestres e buscadores avançados. Certamente o silêncio ambiente e a escuridão aceleram muito a chegada do silencio interno, por eliminarem os estímulos exteriores)
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Rapidamente nos sentiremos isolados por uma espécie de invólucro acustico. Assim, a única coisa que sabemos é que ''respiramos''. E para nos libertarmos desse ''saber'' e ''sentir'' não é necessária nenhuma ''decisão'', pois a respiração irá, espontaneamente, ficando mais lenta, diminuindo cada vez mais o consumo de ar e, por conseguinte, prendendo cada mais mais nossa atenção.
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Os antigos toltecas, Mestres indiscutíveis da pratica do silencio interno, chamavam isso de ''respiración del reptil''.
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Infelizmente, esse agradável e revigorante estado de recolhimento pode não ser duradouro, pois estará arriscado a ser destruído: como que brotando do nada, surgem de repente estados de ânimo, sentimentos, desejos, preocupações e até pensamentos borrados uns com os outros que,quantos mais fantásticos, menos estão relacionados com aquilo pelo qual prescindimos de nossa consciência comum, tão mais obstinadamente nos dominam .É como se esses pensamentos quisessem se vingar pelo fato de a consciência tocar esferas ás quais comunmente não chega. Mas essa perturbação é vencida se se continua respirando serena e tranquilamente.
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Aceitando-se de maneira agradável e com animo de guerreiro tudo o que acontece enquanto o silencio interno não chega, aprende-se a acomodar a perturbação, aprende-se a contempla-la com disciplinada indiferança, como algo que não faz exatamente parte de nosso ser, como uma influência externa ou ''mente forânea''. E, finalmente, cansamos de acompanha-la ou, o que seria mais correto, ela ''desiste '' de nós, porque deixamos de nos comportar como comida ou fonte de energia para ela.
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Assim se emerge, pouco a pouco, num estado similar de relaxamente áquele que precede o sono. É esse momento que deve ser capturado e fixado pela consciencia.
O silêncio interno começa com uma ordem, um ato de vontade que se converte no comando da Águia. Porém, nós temos que lembrar que no momento em que nos impomos o silêncio nunca estaremos verdadeiramente ali, mas na imposição. É necessário aprender a transformar a vontade em intento”.
O silêncio interno é algo que começa tranqüilo, é um abandonar-se, deixar-se ir. Produz uma sensação inicial de ausência, como a que tem um garotinho quando fica olhando para o fogo durante muito tempo.
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Feito uma vez, esse esforço poderá ser repetido seguidamente com toda segurança. Graças a ele, ,a alma (ou consciência)entra espontaneamente numa espécie de vibração suscetível de se intensificar , até chegar á sensação de incrível leveza e fluidez, , que só experimentamos poucas vezes no sonho, é aquela segurança de podermos dirigir a energia da mente em qualquer direção, aumentar e dissolver tensões, numa lenta e gradual adaptação e domínio.
Esse estado, em que não se pensa nada de definido, em que nada se projeta, aspira, deseja ou espera e que não aponta em nenhuma direção determinada (e, não obstante, pela plenitude da sua energia, se sabe que é capaz do possível e do impossível), esse estado, fundamentalmente livre da intenção e influência do eu, é o que o Mestre chama de ''espiritual''.
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Essa é a plataforma básica do SILÊNCIO INTERNO.
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Tal estado de consciência pode ser obtido através de uma disciplina rígida, pois requer a estabilização das ondas mentais e dos fluxos emotivos inconscientes. Depende do afluxo da consciência do Eu ao chamado tempo mítico e ao contato com os arquétipos
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Caso comece a enxergar pequenos pontinhos de cor brilhante esvoaçando a sua volta, lembre-se das palavras do nagual Juan Mattus...rsss (:)
''NÃO EXISTE MAL NENHUM EM TOMAR SUSTOS MORTAIS. O QUE FAZ MAL É TER SEMPRE UMA PESSOA EM CIMA DE VOCE DIZENDO O QUE VOCE DEVE E O QUE NÃO DEVE FAZER''.
Os pontinhos indicarão que a prática está indo bem.
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“Para teres acesso ao fogo, acende uma chama.” (dito rosacruz)
O "ponto de projeção" é um foco de energia ativa que o iniciado desperta e mantém sob a ação do intento ativo.. Todo o trabalho com energia está baseado na intensidade da concentração mental, associada à intenção ou ao intento. Chamamos "ponto de projeção" porque se trata de um centro de energia irradiante, capaz de ser manipulado e não obstante fixo na aura humana.
Obviamente, ele aparece na consciência da pessoa como um ponto de energia brilhante que irradia na sua direção, e nao como um olho de fato, como é representado em vários símbolos místicos, como no olho de hórus ou a pirâmide maçônica do dólar.
O caráter de "magneto luminoso" demonstra a natureza ígnea ou energética deste ponto, uma essência consciencial focalizada, um olho interno de poder e de comando... ele atua de forma automática caso a ''impecabilidade'' (disciplina necessária) se faça presente, como uma verdadeira confirmação de alinhamento interior. Isto significa que o ponto de projeção não requer ser dirigido conscientemente a fim de trazer benefícios (cabe observar a pré-existência das "facetas do real", à qual podemos ter acesso direto através de estados de consciências correspondentes). Ele pode dirigir a energia para onde ela seja necessária, sob a ação do "visão interior)", do qual ele é realmente o foco de consciência e de oculta atividade.
O ponto de projeção se acha misteriosamente associado ao poder da palavra. O treinamento da emissão esotérica do som (que pode ser tbm puramente mental e silenciosa) é um dos elementos que possibilita o alinhamento que resulta na confecção ou na ativação deste instrumento oculto. Corresponde também à "pedra de toque" dos alquimistas medievais.
Da mesma forma, se encontra vinculado à visão interior, e podemos dizer que se manifesta como clarividência após a terceira iniciação, que é quando o ponto de projeção se acha consolidado. A posse do ponto de projeção abre as portas para o verdadeiro caminho iniciático.
No mesmo sentido, a formação do ponto de projeção ocorre através de um tríplice processo descrito nos termos da Filosofia Esotérica de Bailey como Imersão, Precipitação e Polarização(cf. Discipulado na Nova Era), envolvendo mais resumidamente a constituição das duas etapas do antahkarana (cf. Os Raios e as Iniciações), para ao cabo de tudo passar pelo processo esotericamente referido como "atravessar a terra ardente" (cf. Espelhismo – Um Problema Mundial) ou o mistério da "luz que avança". Esta última etapa corresponde ao que os toltecas descrevem como "atravessar o olho da águia". A travessia completa deste umbral revela um mundo de "fogo puro" e a consciência passa a existir sob o divino "fogo devorador", de que fala São Paulo em uma de suas cartas: Nosso Deus é um fogo devorador''
Segundo o Tibetano, este chakra atua como uma síntese da Personalidade, um instrumento para manipular de forma sintética as energias do alinhamento da Personalidade. Trata-se portanto de uma quintessência.
O ponto de projeção da energia é um foco de energia dinâmico sujeito a diferentes estados e níveis de expressão. Ele representa na verdade o próprio estado ou nível da energia pessoal, e corresponde ao estágio em que se encontra a energia do intento no indivíduo.
O intento é aquilo que nos permite seguir adiante quando a razão nos diz que é impossível prosseguir, dando como consequência o alargamento de nossa faixa de possibilidades.
Os movimentos do intento representam atos de vontade pura, e significam colocar a nossa consciência em zonas avançadas de energia.. O intento é a força que desdobra o arco das possibilidades, trazendo à luz os potenciais ocultos. E deste modo, os movimentos do intento abrem também novas zonas de percepção.
Aqui temos, pois, um “roteiro” sumário da meditação completa para a ativação da visão interior, algo desmistificada. O tema está relacionado sobretudo às etapas finais do Ashtanga Yoga de Patânjali, ou a “Ioga de Oito Partes”.
1) Yamas – Restrições (ética passiva)
2) Nyamas – Prescrições (ética ativa)
3) Asanas - Posturas
4) Pranayamas - Controle consciente da respiração
5) Pratyahara – Abstração
6) Dharana - Concentração
7) Dhyana - Meditação
8)Samady – Identificação, Contemplação
As três útimas fases conformam o Samyama, o tríplice corolário da Yoga de Patânjali, configurando mais propriamente as etapas da meditação. Porém, tanto o Pranayama quanto o Pratyahara, também participam ativamente na meditação, fazendo uma transição e uma preparação para o controle mental. A postura também faz parte disto, embora se trate de uma postura mais ou menos fixa, assim como, é claro, as energias concentradas graças às atitudes éticas (.
O Samady final às vezes é associado à iluminação, mas na verdade se trataria aqui antes de uma Identificação, que é a meta da yoga, vista como a busca da Identificação ou yug (raiz da palavra yoga), que significa sugjugar, controlar (a mente), donde a nossa expressão “jugo”. A palavra yoga significa “união” semelhante a religião, do latim religare, “religação”. Assim, a iluminação seria também a meta e a superação da religiosidade comum.
Tema sutil e refinado, a iluminação (samadhi, nirvana) costuma ser interpretada e descrita de forma múltipla, existindo também na Yoga e no Budismo, classificações para as sucessivas “etapas da iluminação”.
A rigôr, contudo, a iluminação perfeita vai além da pacificação mental e é um corolário ulterior da yoga, técnica esta definida por Patânjali como yogascittavrttinirodhah, ou seja: "Ioga é a parada das modificações mentais". Não casualmente, quando trata das “técnicas” existentes além da terceira iniciação, Alice A. Bailey quase se reduz a mencionar as “variantes da identificação” (a identificação é, sabidamente, uma das bases da compaixão). A iluminação é o mundo além da mente, embora já use a mente de forma livre e criativa.
O plano búdico ou quaternário é chamado “Mar de Fogo”, um mundo auto-criado de energias divinas, que levou São Paulo a afirmar que “nosso Deus é um fogo consumidor” e Jesus a dizer que “o Pai tem a vida em si mesmo”. Para chegar a este plano de glórias eternas, é preciso fazer a preparação do mental superior chamada “a travessia da terra ardente”. Aqui entra a fórmula rosacruz que afirma: “para teres acesso ao fogo, acende uma chama.”
Esta chama espiritual é Trina, porque a Mônada ou o Logos são sabidamente trinos, podendo suas energias ser qualificadas como Som, Luz e Amor Incondicional. São energias relacionadas à Trindade e à Trimurti, e perspassam todos os planos de forma mais ou menos integrada.
Para efeitos sugestivos, tratamos de resumir estas fases da meditação completa.
Não há como variar muito, neste terreno.
Boa sorte!!
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